A história
Publicado em 1959 por Robert Bloch,
Psicose traz como protagonista Norman Bates, o gerente de um hotel
decadente de beira de estrada, que vive isolado com sua mãe. Mas vamos falar
sobre eles depois.
A narrativa começa acompanhando a
jovem Mary Crane em seu carro no meio da chuva, dirigindo sozinha ao encontro
de seu noivo, o pacato Sam Loomis. Apesar de terem a intensão de se casarem, a
falta de dinheiro é um impeditivo e os anos vêm se acumulando em cima de
promessas. Cansada de esperar, Mary toma uma decisão perigosa: ela rouba quarenta
mil dólares de um cliente do escritório em que trabalhava e decide encontrar
com o seu amado para começar uma vida nova.
Mary é forçada a procurar um
lugar para passar a noite e é quando o seu caminho se cruza com o de Norman Bates.
O homem a recebe com simpatia e bondade, chegando a oferecer comida para a recém
chegada. Mary a princípio aceita a gentileza, mas logo precisa se recolher para
o quarto, pois está cansada, molhada e apreensiva com o que pode acontecer caso
alguém encontre o dinheiro roubado. Ela precisa chegar em Fairvale na manhã seguinte!
“Foi por isso que não percebeu
a porta abrir, nem o som de passos. Logo que as cortinas do chuveiro se
abriram, o valor obscureceu o rosto.”
Horas mais tarde o corpo de Mary
é encontrado no quarto alugado e Norman fica desesperado. Isolado naquele hotel,
em uma estranha que deixara há muito tempo de ser usada – o que prejudicara o
negócio – ele sabia que era uma questão de tempo para que a polícia viesse
fazer perguntas. E, se não fizesse nada para apagar os rastros daquela mulher,
as consequências seriam terríveis para… sua mãe. A pobre e adoecida senhora que
fizera tanto por ele e que cuidava dele. A mulher para quem ele queria se
provar valoroso e que agora dependia tanto dele. Se soubesse o que ela fez, ela
poderia ser levada para uma instituição e tirada dele. Norman não poderia permitir.
Continuação
Robert Bloch ainda lançou duas
sequências para o seu livro, Psicose II em 1982 e Psycho House em
1990, porém não encontrei dados sobre a publicação deles no Brasil.
Inspiração
O livro foi inspirado na história
de Edward Theodore Gein, que seria mais tarde conhecido apenas como Ed Gein.
Nascido em 27 de agosto de 1906, em
Wisconsin (EUA), Ed foi criado por uma mãe extremamente religiosa e
controladora, que se aproveitava da isolação da família para manter os filhos
sob o seu controle e suas crenças, entre elas a imoralidade do mundo e das mulheres.
Em 1957, Ed Gein foi preso após a
descoberta de que havia assassinado pelo menos duas mulheres e violado corpos
do cemitério local. Segundo as investigações que foram feitas em sua casa, foram
encontrados diversos objetos feitos com os restos mortais das vítimas e dos
corpos saqueados.
Por mais absurda que isso tudo
possa parecer, trata-se de uma história real, que não apenas chocou o mundo,
como também foi eternizado no imaginário popular, e influenciou diversas obras
nas décadas seguintes, como os filmes O massacre da serra elétrica, O
silêncio dos inocentes e o livro Psicose.
Adaptações
Psicose foi adaptado para
o cinema em 1960, pelo diretor Alfred Hitchcock, escrito por Joseph Stefano e
estrelado por Anthony Perkins (Norman Bates) e Janet Leigh (Marion Crane).
Para o diretor, era extremamente importante manter o público ignorante sobre a
reviravolta da trama, por isso, não houve sessão antecipada para críticos e não
foi permitida a entrada de pessoas atrasadas nas sessões.
Em 1999, fizeram um remake do
filme, dirigido por Gus Van Sant e estrelado por Vince Vaughn, Julianne Moore,
Viggo Mortensen e Anne Heche, que não foi muito bem recebido pelo público, sendo
considerado uma refilmagem “inútil”.
Em 2013 foi lançada a série Bates
Motel, série que serve como um prelúdio para a trama do livro, e conta com
Vera Farmiga e Freddie Highmore como Norma e Norman Bates, respectivamente. A
série durou até 2017.
Comentário pessoal
“Eu compreendo.
Tenho consciência da situação. Como lhe disse, tenho lido um bocado. Sei o que
dizem os psicólogos a respeito dessas coisas. Mas tenho um dever a cumprir em
relação à minha mãe.”
“E não estaria cumprindo esse
dever, em relação a ela e a si mesmo, se a mandasse… para uma instituição?”
“Ela não está louca!”
Psicose leva o leitor para
dentro de uma psique adoecida e traumatizada, que reinterpreta o mundo para que
tudo faça sentido na loucura. O personagem principal passa o tempo todo se
colocando como vítima da situação, um espectador impotente, ao mesmo tempo que
se enxerga como o único capaz de garantir que tudo volte a ficar bem.
Essa, pra mim, é a maior
qualidade do livro. A maneira como o Robert Bloch constrói esse personagem,
como ele deixa o leitor desconfortável, sentindo que tem algo fora do lugar, e
incomodado com todas as coisas que o personagem faz para consertar as coisas e
se agarrar àquela versão da realidade na qual ele vive.
O medo que Norman tem de ser
separado de sua mãe é sua força motriz, na mesma medida em que sua necessidade
de independência fez dele o que ele é.
Da mesma forma que Hitchcock, eu
acredito que a revelação final do livro precise ser guardada a sete chaves, porque
esse é o grande charme desse livro. No entanto, Psicose se tornou uma
obra tão importante para o imaginário coletivo, seja por mérito próprio ou por conta
do filme, que a reviravolta é tão ou mais famosa que a obra em si.
É como assistir Star Wars sabendo de quem o Luke é filho, ou ver Clube da luta ou O sexto sentido já sabendo o final. Fica muito sem graça, mesmo que tenha qualidade. Foi o que aconteceu comigo. Apesar de não ter assistido ao filme, eu já sabia o final, e o tempo todo eu li me preparando para essa revelação. De certa forma, eu fiquei um pouco frustrada e gostaria de ter tido a mesma experiência que as pessoas tiveram quando leram o livro lá nos anos 60s ou nas salas de cinema.
É uma pena.











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