sábado, 25 de outubro de 2025

#004 - Livro 1: Psicose - Robert Bloch



A história

Publicado em 1959 por Robert Bloch, Psicose traz como protagonista Norman Bates, o gerente de um hotel decadente de beira de estrada, que vive isolado com sua mãe. Mas vamos falar sobre eles depois.

A narrativa começa acompanhando a jovem Mary Crane em seu carro no meio da chuva, dirigindo sozinha ao encontro de seu noivo, o pacato Sam Loomis. Apesar de terem a intensão de se casarem, a falta de dinheiro é um impeditivo e os anos vêm se acumulando em cima de promessas. Cansada de esperar, Mary toma uma decisão perigosa: ela rouba quarenta mil dólares de um cliente do escritório em que trabalhava e decide encontrar com o seu amado para começar uma vida nova.

Mary é forçada a procurar um lugar para passar a noite e é quando o seu caminho se cruza com o de Norman Bates. O homem a recebe com simpatia e bondade, chegando a oferecer comida para a recém chegada. Mary a princípio aceita a gentileza, mas logo precisa se recolher para o quarto, pois está cansada, molhada e apreensiva com o que pode acontecer caso alguém encontre o dinheiro roubado. Ela precisa chegar em Fairvale na manhã seguinte!

“Foi por isso que não percebeu a porta abrir, nem o som de passos. Logo que as cortinas do chuveiro se abriram, o valor obscureceu o rosto.”

Horas mais tarde o corpo de Mary é encontrado no quarto alugado e Norman fica desesperado. Isolado naquele hotel, em uma estranha que deixara há muito tempo de ser usada – o que prejudicara o negócio – ele sabia que era uma questão de tempo para que a polícia viesse fazer perguntas. E, se não fizesse nada para apagar os rastros daquela mulher, as consequências seriam terríveis para… sua mãe. A pobre e adoecida senhora que fizera tanto por ele e que cuidava dele. A mulher para quem ele queria se provar valoroso e que agora dependia tanto dele. Se soubesse o que ela fez, ela poderia ser levada para uma instituição e tirada dele. Norman não poderia permitir.


Continuação

Robert Bloch ainda lançou duas sequências para o seu livro, Psicose II em 1982 e Psycho House em 1990, porém não encontrei dados sobre a publicação deles no Brasil.



Inspiração

O livro foi inspirado na história de Edward Theodore Gein, que seria mais tarde conhecido apenas como Ed Gein.

Nascido em 27 de agosto de 1906, em Wisconsin (EUA), Ed foi criado por uma mãe extremamente religiosa e controladora, que se aproveitava da isolação da família para manter os filhos sob o seu controle e suas crenças, entre elas a imoralidade do mundo e das mulheres.

Em 1957, Ed Gein foi preso após a descoberta de que havia assassinado pelo menos duas mulheres e violado corpos do cemitério local. Segundo as investigações que foram feitas em sua casa, foram encontrados diversos objetos feitos com os restos mortais das vítimas e dos corpos saqueados.

Por mais absurda que isso tudo possa parecer, trata-se de uma história real, que não apenas chocou o mundo, como também foi eternizado no imaginário popular, e influenciou diversas obras nas décadas seguintes, como os filmes O massacre da serra elétricaO silêncio dos inocentes e o livro Psicose.

 



Adaptações

Psicose foi adaptado para o cinema em 1960, pelo diretor Alfred Hitchcock, escrito por Joseph Stefano e estrelado por Anthony Perkins (Norman Bates) e Janet Leigh (Marion Crane). Para o diretor, era extremamente importante manter o público ignorante sobre a reviravolta da trama, por isso, não houve sessão antecipada para críticos e não foi permitida a entrada de pessoas atrasadas nas sessões.

 

Em 1999, fizeram um remake do filme, dirigido por Gus Van Sant e estrelado por Vince Vaughn, Julianne Moore, Viggo Mortensen e Anne Heche, que não foi muito bem recebido pelo público, sendo considerado uma refilmagem “inútil”.

Em 2013 foi lançada a série Bates Motel, série que serve como um prelúdio para a trama do livro, e conta com Vera Farmiga e Freddie Highmore como Norma e Norman Bates, respectivamente. A série durou até 2017.

 

Comentário pessoal

 

Eu compreendo. Tenho consciência da situação. Como lhe disse, tenho lido um bocado. Sei o que dizem os psicólogos a respeito dessas coisas. Mas tenho um dever a cumprir em relação à minha mãe.”

“E não estaria cumprindo esse dever, em relação a ela e a si mesmo, se a mandasse… para uma instituição?”

“Ela não está louca!”

 


Psicose leva o leitor para dentro de uma psique adoecida e traumatizada, que reinterpreta o mundo para que tudo faça sentido na loucura. O personagem principal passa o tempo todo se colocando como vítima da situação, um espectador impotente, ao mesmo tempo que se enxerga como o único capaz de garantir que tudo volte a ficar bem.

Essa, pra mim, é a maior qualidade do livro. A maneira como o Robert Bloch constrói esse personagem, como ele deixa o leitor desconfortável, sentindo que tem algo fora do lugar, e incomodado com todas as coisas que o personagem faz para consertar as coisas e se agarrar àquela versão da realidade na qual ele vive.

O medo que Norman tem de ser separado de sua mãe é sua força motriz, na mesma medida em que sua necessidade de independência fez dele o que ele é.

Da mesma forma que Hitchcock, eu acredito que a revelação final do livro precise ser guardada a sete chaves, porque esse é o grande charme desse livro. No entanto, Psicose se tornou uma obra tão importante para o imaginário coletivo, seja por mérito próprio ou por conta do filme, que a reviravolta é tão ou mais famosa que a obra em si.

É como assistir Star Wars sabendo de quem o Luke é filho, ou ver Clube da luta ou O sexto sentido já sabendo o final. Fica muito sem graça, mesmo que tenha qualidade. Foi o que aconteceu comigo. Apesar de não ter assistido ao filme, eu já sabia o final, e o tempo todo eu li me preparando para essa revelação. De certa forma, eu fiquei um pouco frustrada e gostaria de ter tido a mesma experiência que as pessoas tiveram quando leram o livro lá nos anos 60s ou nas salas de cinema.

É uma pena.



sábado, 11 de outubro de 2025

#003 - Leituras concluídas até setembro/2025 - Parte 2

Olá! Boa noite! Voltando com a parte 2 dos livros lidos até setembro de 2025, com um especial Ali Hazelwood:


4. A hipótese do amor - Ali Hazelwood


Sinopse: Ao descobrir que sua melhor amiga está apaixonada pelo seu ex-namorado, Olive Smith quer apenas que a amiga seja feliz. Por isso, precisa fazê-la acreditar que ela está em outra, mais precisamente, apaixonada por Adam Carlsen, o professor mais detestado da faculdade.

Eu geralmente não leio livros que estejam no hype porque sei que as pessoas são meio emocionadas. Porém, toda vez que eu ia à livraria esse livro aparecia. Depois que descobri que era uma fanfic (amo) de Star Wars (episódios VII a VIX), eu tive que conferir. E li em quatro dias. É fofo, é clichê, é engraçado, é clichê, e era exatamente o que eu estava precisando na época.

Mas não é a melhor coisa que eu já li, porque como eu disse em cima, é bem clichê, previsível, e tenho dificuldade para aceitar que um homem adulto, professor de faculdade, se sujeitaria a ser o namorado falso de uma aluna de doutorando, com quem ele só conversou uma vez. Na minha cabeça, todos os personagens eram mais novos (embora maiores de idade).

Estrelas: ☆☆☆

 

5. Amor, teoricamente - Ali Hazelwood


Sinopse: Elsie Hannaway é uma física teórica que trabalha como “namorada de aluguel” para complementar o seu salário como professora adjunta na universidade. Tudo vai bem, até que ela vê a oportunidade de sua vida: ser professora titular. No entanto, um dos seus avaliadores será Jack Smith, um físico experimental que, no tipo de coincidência típica de comédias românticas, é irmão de um dos clientes de Elsie, e implica com ela desde que se conheceram.

Amei esse livro. Fiquei triste quando terminou porque passaria mais tempo com aqueles personagens sem problemas. Achei um pouco mais crível a relação deles e o Jack Smith é um fofo. Acho que vai entrar na minha lista de livros conforto para reler sempre que a ressaca literária bater.

Estrelas: ☆☆☆

 

6. Odeio te amar – Ali Hazelwood


Sinopse:
Três amigas, três histórias. Mara, Sadie e Hannah são três amigas da época da faculdade, que seguiram caminhos diferentes e se esforçam para manter contato, mesmo estando longe. Nesse livro, acompanhamos suas histórias de amor de forma separada, em três contos: Sob o mesmo teto, Presa com você e Abaixo de zero.

As três histórias são boas, envolventes e têm um tom de comédia que eu simplesmente devorei muito rápido. Sério, foi 1 dia para cada um. Vou falar sobre eles por ordem do que eu menos gostei, para o que eu mais gostei:

3. Presa com você: Depois de se conhecerem e se apaixonar, Sadie corta relações com Erik sem explicação. Até que um dia eles ficam presos em um elevador e são obrigados a conversar. Dois queridos emocionados. Três semanas foi suficiente para muitas coisas: amar demais, odiar demais. Mas não foi suficiente para se comunicar, aparentemente.

2. Sob o mesmo teto: traz a história de Mara e Liam que descobrem ser os dois herdeiros da tia dele, que deixou para ambos a sua casa. Como eles não se conhecem, tentam lidar com as diferenças enquanto dividem o espaço. Bem caseiro, engraçadinho, quentinho pro coração. Quando acabou, eu percebi que queria mais, porque gostei dos personagens, da história e do casal.

1. Abaixo de zero: Hannah e Ian tiveram um momento intenso anos atrás e agora trabalham juntos na Nasa. Porém, ela acredita que Ian tentou destruir sua carreira e agora o odeia com todas as forças. Uma pena, porém, que ele seja agora a única pessoa disposta a resgatá-la quando ela sobre um acidente no Ártico.

O maior defeito dessa história é que ela acaba muito rápido. Eu leria 300 páginas disso. A mocinha tinha tesão de sobra, apesar de não ser muito boa para parar e pensar: eu deveria fazer isso agora? Aqui? Talvez não. Ian é outro emocionado, que também não tem muita noção de espaço e tempo. Eu certamente não gostaria de ter nenhum dos dois na minha equipe de trabalho.

Estrelas: ☆☆☆

 

***

Sim, tive uma breve fase Ali Hazelwood esse ano. Li os três livros em sequência e acho que encerrei bem essa fase com “Odeio te amar”. Por mais que eu tenha amado tudo, eu acho os personagens todos um pouco parecidos, as histórias bem clichês - nada de errado com clichês, mas em três livros (e seis histórias) acho que já cobri clichês suficientes.

Além disso, eu gosto de livros com temática hot. Li Sabrinas, Julias e Biancas na adolescência, li alguns new adult pré-Dark Romance e depois da Ali cheguei à conclusão de que prefiro histórias hot com personagens que realmente gostam de sexo. Acho legal a Ali trazer ao protagonismo personagens assexuais, demissexuais etc, acho importante dar esse espaço para essas histórias. Porém, eu prefiro histórias com mais tensão sexual, mais tesão, mais pegada.

Ali, não é você. Sou eu. 

Vou deixar o caminho aberto para outros livros dela no futuro. Clichês são bons porque a gente já sabe que gosta.

domingo, 5 de outubro de 2025

#002 - Leituras concluídas até setembro/2025 - Parte 1


Como eu havia dito no post anterior, eu não li muito nesse ano ainda. E não costumo ler muito no geral. Minha cota anual é a quantidade de livros que um influencer lê em um mês. Mas enfim, o objetivo aqui é aumentar a minha lista de leituras, não a dos outros. Então vamos lá:


1. Psicose - Robert Bloch

Sinopse: Norman Bates gerencia um motel de beira de estrada e vive em uma casa isolada junto com sua mãe. Bates leva uma vida pacata, mas quando uma jovem de Nova York paga por um dos quartos, a vida de ambos nunca mais será a mesma.


Esse livro eu comecei em 2024, no dia em que o vendaval em São Paulo deixou várias casas sem luz, inclusive a minha. Era por volta de 20h00 numa sexta-feira quando aconteceu e ficamos até 15h de um domingo sem luz. Felizmente, o Lev (sim, ele mesmo) estava carregado e eu pude começar esse clássico. Mas só terminei em janeiro de 2025, porque dei uma abandonada por um tempo.
Trata-se do livro que deu origem a um dos filmes mais conhecidos do diretor Alfred Hitchcock, e um clássico dos filmes de terror/assassinato. Mas acho que o fato de esse filme ser tão icônico me atrapalhou um pouco, embora eu não tenha assistido. Eu já sabia do plot principal, então só descobri como as coisas aconteciam.
No fim, é só um livro que eu li.

Estrelas: ☆☆

2. Amanhecer na colheita - Suzanne Collins (Jogos Vorazes #5)

Sinopse: Haymitch Abernathy é escolhido como um dos quatro tributos do Distrito 12 para o 2º Massacre Quaternário. Mesmo com chances pequenas de sobrevivência, Haymitch logo se torna um problema para os organizadores dos jogos, ao desafiar o poder da Capital.

Eu sou uma fã de longa data dos livros de Jogos Vorazes, já reli algumas vezes e estou no momento me contendo para não começar mais uma vez. Mas esse livro era um que eu estava esperando para ler desde que foi anunciado, porque trás a história de um dos meus personagens favoritos, Haymitch, e da sua edição dos jogos. Algo que os fãs queriam desde que os spin offs foram anunciados com A cantiga dos pássaros e das serpentes.
Eu devorei esse livro e no geral eu gostei, muito. Mas não acho o livro perfeito e senti que teve muita coisa forçada ali para encaixar na série original e conectar personagens que talvez não precisassem estar conectados. Mas eu vou passar esse pano.

Estrelas: ☆☆☆

3. Da magia à sedução - Alice Hoffman

Sinopse: Sally e Gillian são duas irmãs completamente diferentes. Elas foram criadas por duas tias excêntricas que vivem de acordo com as tradições da família: a bruxaria. Sally rejeita sua descendência e vive de forma discreta. Gillian abraça seus poderes, mas não consegue encontrar paz, tornando-se inconstante como seus relacionamentos.

Esse é um livro que eu tinha muita vontade ler, apesar de ter descoberto há pouco tempo a sua existência. Desde criança, um dos meus filmes favoritos era a adaptação desse livro, estrelado por Nicole Kidman e Sandra Bullock no auge da beleza de ambas. Só que eu não sabia que era uma adaptação. Tampouco sabia que tinha uma série sobre a família Owen, então é claro que estou doida para continuar essa saga...
A escrita em si não é nada especial, a autora vai passando pelas situações meio por cima, tem muita passagem de tempo, e não tem capítulos. A história vai mudando de ponto de vista do nada, é um pouco confuso, admito. Além disso, o roteiro do filme foi MUITO modificado para resumir e simplicar a história. Então, se você gosta do filme, espere uma versão consideravelmente diferente aqui. Por exemplo: no filme, as filhas de Sally são duas crianças que são tiradas do filme em determinado ponto da história, aqui, ambas são adolescentes.

Estrelas: ☆☆☆

terça-feira, 30 de setembro de 2025

#001 - Apresentação e projeto de leitura

"Essas coisas são ótimas! É como TV na sua cabeça!"

    Olá, boa tarde, amantes descompromissados de literatura! Sim, descompromissados! Porque eu não sei vocês, mas EU não tenho tempo, dinheiro nem energia para ler todos os dias, nem consigo cumprir uma meta de leitura mensal que seja maior que um livro. Adoro acompanhar influencers de livros no Youtube, Tik Tok e Instagram, mas aquela realidade não é a minha. Leio quando dá e em uma quantidade que consigo conciliar com meus outros compromissos da vida adulta.

    O que me leva ao objetivo desse meu novo blog: ler mais, mas manter metas realistas. E voltar a exercitar a escrita, que ando negligenciando há tempo demais! Eu gosto de escrever blogs, por mais que não tenha muitas pessoas dispostas a lê-los hoje em dia, mas também não tenho talento para ligar uma câmera e falar, editar e postar nas redes. Sou tímida e me sinto velha demais para essas “modernidades”.

    Então, quem sou eu, afinal? Meu nome é Soraya, fiz aniversário em 29/09 (ontem), quando completei 36 anos! Sempre gostei de ler, mas faço intervalos muito longos entre uma leitura e outra. Em parte por causa da rotina de mulher trabalhadora, em parte pelo excesso de uso de tela. Apesar de ser da tal "Geração Y", eu não sou imune aos vícios da era em que vivemos. Já desinstalei o Twitter, o Instagram e o Tik Tok várias vezes. Sempre volto. O que demonstra outra dificuldade da minha vida de leitora: me falta disciplina.

"Você pode ler de novo?"

    Estou lançando um projeto de leitura que visa me ajudar a ter motivação para ler mais e movimentar os livros encalhados na estante. O desafio “40 livros para os meus 40 anos”!

    Serão 4 anos para eu ler uma lista de 40 livros que estão empacados na minha estante e que quero ter lido antes de começar uma nova década de vida. Os títulos são bem variados, tem romance, clássico, não ficção, nacionais, fantasia... Meu gosto é bem eclético. Se quiser saber quais livros estão nessa lista, é só ver a lista na lateral do blog, onde estarão todos eles. Colocarei um número na frente do título que já tiver sido lido e vou atualizando assim.

    Portanto, o principal objetivo desse blog é ler mais, escrever sobre o que leio, e ter um passatempo saudável ao invés de ficar passando vídeo pra cima e recebendo dopamina enquanto meu cérebro derrete. Um pouco dramático, mas é a verdade 😅.

     Por enquanto, é só isso! No próximo post eu vou falar dos meus critérios para ler livros diferentes, e para comprar livros novos. (Acho que vou escrever hoje mesmo, porque amanhã acabam as minhas férias e tenho que aproveitar o tempo que tenho 😝).